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Refluxo Gastroesofágico (DRGE): Estratégias Dietéticas, Nutracêuticas e Probióticas no Tratamento

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição digestiva comum, caracterizada pelo retorno do conteúdo gástrico ao esôfago, provocando sintomas como azia, regurgitação e dor torácica. Apesar do uso generalizado de medicamentos como inibidores de bomba de prótons (IBPs), nem todos os pacientes alcançam alívio completo dos sintomas com o tratamento farmacológico isolado.

Nos últimos anos, alternativas não farmacológicas vêm sendo estudadas, e uma revisão sistemática publicada em 2022 na Clinical Nutrition ESPEN analisou a eficácia de intervenções dietéticas, nutracêuticas e probióticas no manejo da DRGE. Este texto apresenta os principais achados dessa revisão e destaca a importância de uma abordagem individualizada.

Artigo: What is the efficacy of dietary, nutraceutical, and probiotic interventions for the management of gastroesophageal reflux disease symptoms? A systematic literature review and meta-analysis – Clinical Nutrition ESPEN

O Papel da Dieta na Redução dos Sintomas de DRGE

A alimentação desempenha um papel central na fisiopatologia da DRGE. Certos alimentos podem desencadear sintomas ou piorar o quadro, enquanto outros podem atuar como moduladores benéficos.

Gengibre: anti-inflamatório natural com potencial digestivo

O gengibre é amplamente conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e digestivas. Estudos incluídos na revisão mostraram que o consumo regular de gengibre pode acelerar o esvaziamento gástrico, reduzir a inflamação esofágica e melhorar sintomas como azia e desconforto abdominal.

Seu efeito pode ser atribuído à presença de gingerol, composto bioativo que modula a motilidade gastrointestinal e possui ação antioxidante.

Iogurtes com Probióticos: equilíbrio da microbiota intestinal

Alimentos fermentados como iogurtes ricos em probióticos mostraram efeitos benéficos no alívio dos sintomas de refluxo. Os probióticos promovem o equilíbrio da microbiota intestinal, reduzindo a fermentação excessiva, a produção de gases e a distensão abdominal, fatores que podem exacerbar o refluxo.

Além disso, os probióticos fortalecem a barreira intestinal e reduzem a permeabilidade da mucosa, diminuindo a inflamação sistêmica que pode repercutir sobre a mucosa esofágica.

Psyllium: fibra solúvel que melhora a motilidade e reduz a pressão abdominal

O psyllium, uma fibra solúvel derivada da casca das sementes da Plantago ovata, demonstrou efeitos positivos no controle da DRGE. Sua ação reguladora sobre o trânsito intestinal ajuda a diminuir a constipação, reduzir a pressão intra-abdominal e melhorar a função gastrointestinal como um todo.

Além disso, o psyllium pode atuar absorvendo parte do ácido gástrico, reduzindo sua presença no conteúdo regurgitado e, consequentemente, protegendo a mucosa esofágica.

A alimentação desempenha um papel central na fisiopatologia da DRGE
A alimentação desempenha um papel central na fisiopatologia do refluxo

Suplementação Nutracêutica no Controle do Refluxo

Além das modificações dietéticas, algumas substâncias nutracêuticas vêm sendo exploradas por sua capacidade de modular o ambiente digestivo e melhorar os mecanismos de defesa da mucosa esofágica.

Polivitamínicos: correção de deficiências e suporte à mucosa

A suplementação com polivitamínicos pode ser útil para pacientes com DRGE, principalmente na presença de deficiências nutricionais, como as de vitaminas B12, D e zinco. Essas vitaminas participam da regeneração epitelial, imunomodulação e da manutenção da integridade da mucosa esofágica.

Estudos demonstraram que a correção dessas deficiências pode contribuir para a melhora clínica dos sintomas e reforço das defesas naturais contra a agressão ácida.

Melatonina: mais que um indutor do sono

A melatonina, além de seu papel na regulação do ciclo sono-vigília, tem demonstrado ações protetoras sobre o trato gastrointestinal. Ela pode aumentar o tônus do esfíncter esofágico inferior, prevenindo o refluxo do conteúdo gástrico.

Outros benefícios incluem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a proteger a mucosa esofágica dos danos causados pelo ácido gástrico.

Abordagem Personalizada: a Chave para o Tratamento Eficaz

Um dos pontos centrais destacados pela revisão foi a importância da individualização do tratamento. Nem todos os pacientes reagem da mesma forma às mesmas estratégias. Por isso, é fundamental avaliar o estilo de vida, hábitos alimentares, histórico clínico e resposta aos tratamentos anteriores.

Identificação de alimentos gatilho

Uma das primeiras etapas da abordagem personalizada é a identificação de alimentos que desencadeiam os sintomas. Entre os mais comuns estão:

  • Cafeína
  • Chocolate
  • Bebidas alcoólicas
  • Alimentos gordurosos
  • Alimentos condimentados ou ácidos

A eliminação seletiva desses itens pode reduzir significativamente a frequência e a intensidade dos episódios de refluxo.

Padrões alimentares e estilo de vida

Pequenas refeições fracionadas ao longo do dia, evitar comer antes de deitar-se e manter uma hidratação adequada são medidas simples, mas eficazes. Além disso, o controle do peso corporal tem efeito direto sobre a pressão intra-abdominal e, consequentemente, sobre o refluxo.

Acompanhamento e Ajuste Contínuo do Plano Terapêutico

O sucesso no controle da DRGE exige monitoramento contínuo e ajustes terapêuticos regulares. Consultas periódicas com médicos e nutricionistas permitem:

  • Avaliar a resposta clínica
  • Monitorar parâmetros laboratoriais
  • Atualizar estratégias com base nas evidências mais recentes
  • Corrigir deficiências nutricionais

Essa abordagem dinâmica é essencial para obter e manter bons resultados a longo prazo.

Conclusão: Uma Visão Ampliada no Manejo da DRGE

O tratamento da doença do refluxo gastroesofágico não deve se limitar ao uso de medicamentos. Estratégias complementares envolvendo alimentação funcional, suplementos nutracêuticos e probióticos mostram resultados promissores e contribuem para o alívio dos sintomas, quando aplicadas de forma personalizada.

O uso de gengibre, iogurtes com probióticos, psyllium, polivitamínicos e melatonina oferece alternativas seguras e eficazes. No entanto, a individualização do plano terapêutico e o acompanhamento profissional contínuo são cruciais para o sucesso do tratamento.

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