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Exercício estruturado no diabetes tipo 2: efeitos sobre resistência à insulina e qualidade de vida

O exercício físico faz parte do cuidado de pessoas com diabetes tipo 2, mas como um programa estruturado pode influenciar a resistência à insulina, o controle glicêmico e a capacidade funcional? Um ensaio clínico randomizado realizado na Índia avaliou essas questões ao longo de 12 semanas.

Publicado na revista PLOS ONE, o estudo de Amaravadi et al. (2024) comparou um programa individualizado e supervisionado de exercícios, associado ao cuidado hospitalar habitual, com o cuidado habitual isolado. Os autores avaliaram resistência à insulina, marcadores glicêmicos, capacidade funcional e qualidade de vida, desfechos que ajudam a discutir como intervenções organizadas podem ser incorporadas ao acompanhamento clínico.

Referência principal: Effectiveness of structured exercise program on insulin resistance and quality of life in type 2 diabetes mellitus-A randomized controlled trial – PubMed

O que o estudo avaliou?

Este ensaio controlado e randomizado, conduzido em um único centro entre 2016 e 2019, incluiu adultos de 30 a 65 anos com diabetes tipo 2 em tratamento com medicamentos orais, com ou sem insulina. Dos 426 indivíduos avaliados para elegibilidade, 160 foram randomizados: 80 para cada grupo. Ao final das 12 semanas, 75 participantes do grupo de exercício e 71 do grupo controle concluíram o acompanhamento.

O grupo de intervenção manteve o cuidado hospitalar padrão e recebeu um programa individualizado, com caminhada, exercícios para membros e tronco, fortalecimento e alongamentos. A prescrição considerava o desempenho no teste de caminhada de seis minutos e a percepção subjetiva de esforço. A orientação era realizar as sessões de três a cinco vezes por semana, em intensidade moderada, com progressão ao longo do programa. O grupo controle foi orientado a continuar o cuidado padrão, sem receber o programa estruturado.

A equipe avaliou insulina de jejum e HOMA-IR, além de glicemia de jejum e pós-prandial, hemoglobina glicada, teste de caminhada de seis minutos e domínios de qualidade de vida pelo formulário WHOQOL-BREF. As medidas foram feitas no início e ao final das 12 semanas.

Exercício estruturado no diabetes tipo 2: paciente realiza caminhada supervisionada como parte de programa avaliado em ensaio clínico.
Exercício estruturado no diabetes tipo 2: o exercício físico é importante para pessoas com diabetes

Quais foram os resultados sobre HOMA-IR e glicemia?

No grupo de exercício, o HOMA-IR médio caiu de 4,81 para 3,35; no controle, subiu de 4,63 para 5,38. A interação entre grupo e tempo foi estatisticamente significativa (F(1,144)=89,29; p<0,001). A insulina de jejum também diminuiu no grupo de intervenção, de 12,67 para 9,49 μU/mL, enquanto aumentou de 12,15 para 13,14 μU/mL no controle (F(1,144)=129,10; p<0,001).

A glicemia de jejum passou de 159,55 para 136,81 mg/dL no grupo de exercício; no controle, foi de 159,69 para 154,90 mg/dL. Para a glicemia pós-prandial, os valores foram de 210,2 para 183,8 mg/dL no grupo de intervenção, comparados a 198,1 para 201,5 mg/dL no controle. As diferenças entre a evolução dos grupos foram estatisticamente significativas para ambos os desfechos (p<0,001).

A hemoglobina glicada média caiu de 8,11% para 7,52% no grupo de exercício e aumentou de 8,06% para 8,45% no grupo controle (F(1,144)=80,05; p<0,001). Esses achados descrevem a evolução observada durante o período do estudo; não permitem concluir que o exercício, isoladamente, tenha causado todas as mudanças. Os participantes também recebiam tratamento médico habitual, e a ingestão alimentar individual não foi registrada.

Como ficaram capacidade funcional e qualidade de vida?

No teste de caminhada de seis minutos, a distância média do grupo de intervenção aumentou de 534,37 para 680,96 metros. No controle, passou de 370,84 para 416,47 metros. A diferença na evolução entre os grupos foi significativa (F(1,144)=84,135; p<0,001). Esse resultado sugere melhora da capacidade funcional na população estudada, medida pelo teste utilizado.

Também houve melhora nos quatro domínios do WHOQOL-BREF no grupo de exercício: saúde física, de 56,80 para 65,16; psicológico, de 51,40 para 71,05; relações sociais, de 58,10 para 77,36; e meio ambiente, de 59,81 para 82,52. As diferenças entre grupos foram estatisticamente significativas (p<0,001). Como qualidade de vida é um desfecho relatado pelos participantes, esses resultados complementam os marcadores laboratoriais e funcionais, mas não os substituem.

O que os resultados podem significar na prática clínica?

O protocolo oferece um exemplo de intervenção progressiva e individualizada: começou com sessões supervisionadas, combinou caminhada e exercícios de fortalecimento, estabeleceu uma faixa de esforço percebido e incluiu orientações sobre sinais para interromper a atividade, como dor torácica, falta de ar ou sintomas de hipoglicemia. Os pesquisadores registraram a adesão por diário e contatos telefônicos; consideraram adesão a conclusão de mais de 70% das sessões previstas.

Para o médico, a aplicação prática não é reproduzir automaticamente o protocolo em toda pessoa com diabetes tipo 2. É avaliar o contexto clínico, o tratamento em curso, a capacidade funcional e possíveis limitações, e discutir a atividade física como parte do cuidado individualizado. O artigo não comparou modalidades em braços separados; portanto, não permite afirmar se caminhada, fortalecimento ou uma modalidade específica foi responsável pelos resultados.

Quais são as limitações?

O estudo foi realizado em um único hospital e acompanhou os participantes por apenas 12 semanas. Embora 160 pessoas tenham sido randomizadas, 146 completaram a avaliação final. Os autores apontam que não registraram a ingestão alimentar individual nem o peso e o IMC após a intervenção. Também reconhecem que comorbidades e efeitos dos medicamentos podem ter influenciado os resultados.

Assim, os achados são promissores para os participantes e condições estudadas, mas não demonstram a duração dos efeitos após o programa nem garantem resultados iguais em outras populações ou cenários. Pesquisas com seguimento mais longo e registro mais completo de fatores que influenciam os desfechos podem ajudar a esclarecer essas questões.

Conclusão: exercício estruturado no diabetes

Neste ensaio randomizado, um programa estruturado de exercícios associado ao cuidado habitual esteve ligado, em 12 semanas, a melhora de HOMA-IR, marcadores glicêmicos, distância no teste de caminhada e domínios de qualidade de vida, quando comparado ao cuidado habitual isolado. A leitura clínica exige considerar as limitações do estudo e o caráter combinado da intervenção.

Para a prática médica, o trabalho reforça o valor de avaliar a atividade física de forma planejada e individualizada no cuidado do diabetes tipo 2. A atualização contínua em Nutrologia pode apoiar decisões clínicas mais bem fundamentadas e integradas ao perfil de cada paciente.

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Referência

AMARAVADI, Sampath Kumar et al. Effectiveness of structured exercise program on insulin resistance and quality of life in type 2 diabetes mellitus: a randomized controlled trial. PLOS ONE, v. 19, n. 5, e0302831, 2024. DOI: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0302831.

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